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15 de novembro de 2004

Brinquedos de Faroeste - Atlantic

Thiago Avelino

Primeiramente, a empresa Atlantic surgiu em 1970 na Itália. Suas primeiras figuras foram sobre o tema da Segunda Grande Guerra (WW2). 

Sucessivamente sobre revoluções mundiais ou temas históricos, tais como Napoleão, Gladiadores, Roma, Egípcios, Conquista do Oeste, Lênin, Hitler e muitos outros... As figuras eram produzidas tanto em escalas 1/72 como em 1/32. As figuras vinham em cor única, ou seja, não eram pintadas, assim como eram mostradas nos catálogos. A Atlantic ficou conhecida no Brasil graças à Gulliver, que comprou algumas figuras e lançou cópias junto aos Fortes Apaches e Acampamentos Apaches lançados no começo dos anos 80. Eu possuo metade destes sets, minha meta é ter todos os de faroeste, é claro, mas o problema é seu preço que é bem salgado, girando em torno de 90 Euros os conjuntos lacrados. Muitos que estão à venda no Ebay já estão abertos e usados. Os lacrados, eu compro de um cara que comprou diversas coleções da Atlantic em meados a 1976, então ele guardou para vender mais tarde. Esperto hein? Infelizmente, a Atlantic veio a falir nos anos 80 por causa de uma alta dívida no banco, afinal as crianças largaram os brinquedos para jogar vídeo game... 

Mas o tema principal deste artigo é para os amantes de brinquedos "Faroestianos", assim como eu, a primeira série lançada foi a Caça ao Búfalo ou Cáccia ao Bisonte. O conjunto continha 10 figuras, entre elas búfalos e índios caçadores. Entre as figuras, havia uma figura de um índio que a Gulliver comprou no começo dos anos 80, para vender junto ao Forte Apache.




O próximo conjunto fala sobre o lendário Búffalo Bill, Bil ou Willian F. Cody, que ficou famoso após matar 1000 búfalos. A Gulliver comprou a maioria das figuras deste set, mas as melhores não, tais como o cavalo de Búffalo Bill. O conjunto vinha com 14 figuras, entre elas um bule de café e uma fogueira. Simplesmente um brinquedo fantástico, reproduzindo a caça de Búffalo Bill aos Búfalos, com seus ajudantes.




O guerreiro Apache Geronimo é o tema do seguinte conjunto. Geronimo foi o guerreiro Chiricahua Apache que derrotou o exército inteiro do General Crook. Geronimo é simplesmente uma lenda no Oeste americano. O conjunto vinha com 12 figuras, duas delas a Gulliver também comprou.



A Cavalaria americana, esse é um dos melhores temas quando o assunto é faroeste. A Atlantic fez uma reprodução perfeita da 7a Cavalaria. Infelizmente, não possuo foto dos cavalos que compunham este conjunto, mas eram os mesmo que a Gulliver comprou. A Gulliver comprou quase que este set inteiro, com exceção do General Crook. O conjunto vinha com 12 figuras.




Davy Crockett foi outra lenda retratada pela Atlantic. Davy lutou em diversos lugares, mas ficou conhecido no Forte Álamo, em plena guerra civil. O conjunto vinha com diversos Davys, mas merece destaque o que está lutando com o urso e o Davy da canoa.



O Acampamento Apache foi o segundo melhor conjunto lançado pela Atlantic, muito lindo, reproduz fielmente um acampamento Apache. Todas as figuras são bonitas, sem exceções, mas merece destaque a do índio numa cama, não se sabe se ele está doente ou morto, e também a do índio à cavalo com aquelas macas de transporte de mortos ou feridos, reprodução fiel ao faroeste. Quando que uma pessoa chega a fazer um brinquedo deste? Eu jamais havia visto uma figura destas, até então. Mais ainda, no conjunto há a índia fazendo a comida com uma criança nas costas. Fenomenal. 

Lembrando que muitos acham que a Gulliver na década de 70 reproduziu o faroeste em brinquedos, eu acho que faltou muita coisa. O conjunto vinha com 18 peças. Na imagem do catálogo não aparece o índio com a maca.




Finalmente o meu preferido, o mais bonito conjunto lançado pela Atlantic, o Acampamento da 7a Cavalaria. Sensacional, esta é a definição breve deste set, que nos mostra como os soldados viviam em campanhas pelo Oeste. A peça mais bonita neste set é o soldado padeiro colocando pão na fornalha. Quando poderíamos imaginar que um brinquedo fosse retratar uma cena destas? Você já viu uma cena destas em brinquedos? Nunca. Sem contar a cabana e os soldados, comendo e com mapa. A definição deste set é incrível, o soldado que está sem as luvas brancas, elas estão na sua cintura. Nota-se um perfeito realismo nas curvinhas da luva pequenina no boneco. Brilhante. Temos ainda o soldado sentado comendo, um colocando água na chaleira. O conjunto vinha com 14 peças.



Troianos - Os mais raros dos soldadinhos de plástico

Marcelo Volcato

Uma das coisas mais interessantes de colecionar soldadinhos de plástico, é a possibilidade de possuir (e brincar com) brinquedos de todas as regiões do planeta, e todos os períodos da História da humanidade. Assim, sua coleção irá levá-lo um dia aos campos de batalha da Idade Média, e no seguinte, ao "veldt" sul-africano, onde seus zulus enfrentarão os boeres. É difícil imaginar uma época ou local que não tenham sido retratados em figuras de plástico. A triste exceção é o Brasil, com os nossos fabricantes, míopes, preferindo fabricar cowboys no lugar de bandeirantes, ou sioux ao invés de tupiniquins... Um dia talvez eles acordem. 

Com milhares de linhas, produzidas por mais de 80 fabricantes do mundo inteiro, é bem provável que você facilmente encontre figuras para brincar daquele período histórico que mais lhe agrada, não é mesmo? Bem, sim. Exceto se você curtir a Guerra de Tróia, e estiver procurando por troianos. Não que eles não existam, eles existem. O problema é que em mais de 40 anos, desde os anos 60, apenas três fabricantes se ocuparam desse conflito, produzindo três sets clássicos e de enorme sucesso e raridade. Vamos aos três: 

Troianos da Britains Herald

A fábrica Herald, uma das pioneiras na Inglaterra da fabricação de soldadinhos de plástico, foi comprada pela tradicional fábrica de soldadinhos de chumbo Britains, ainda em meados dos anos 60. O motivo era simples. O plástico era mais barato e seguro do que o metal, e a Britains (fundada em 1893 por William Britains) estava tentando, sem sucesso, substituir sua matéria prima. Em 1966 ou 1967 (as fontes divergem) a Britains lançou seu primeiro conjunto de soldadinhos, após a aquisição da Herald: Os troianos. As figuras foram feitas sob a supervisão do legendário Roy Selwyn-Smith, e retratavam os principais guerreiros dos dois lados do conflito: Os troianos eram Heitor e Páris (com arco e tudo), e os gregos contavam com Agamemnom (a cavalo), Ulisses, Aquiles e Ajax. Disponíveis por apenas quatro anos, e apesar do enorme sucesso na época, essas figuras são raras hoje em dia, e muitos colecionadores sonham com elas. 

Rei grego Agamemnom

Heitor, Páris, Ajax, Aquiles, e Ulisses

Troianos da Atlantic

Em 1972 a Atlantic (empresa italiana, que criou as esculturas das figuras do velho oeste atuais da Gulliver), lançou a sua versão dos troianos. Ao contrário da versão Britains, que tinha esculturas "genéricas", a Atlantic se preocupou em fazer dos seus troianos, uma representação fiel do que teve ter sido um guerreiro do período. Diz à lenda que o escultor visitou museus, consultou livros sobre o Império Micênico, e pesquisou por um ano antes de por mãos à obra. O resultado? Um estrondoso sucesso na Europa e nos EUA, mas isso não impediu que essas figuras tivessem um final ingrato... Em 1991, junto com os moldes de romanos, egípcios e gregos, os moldes dos troianos foram vendidos para o Iraque, isso mesmo, o Iraque, semanas antes da Guerra do Golfo. Os moldes estão desaparecidos desde então, presume-se que destruídos, e essas figuras custam muito, mas muito caro mesmo, no mercado de colecionadores internacionais. 


Troianos da Dragon

Foram precisos mais de 30 anos (e um filme com Brad Pitt), para que algum fabricante voltasse a se interessar pelos troianos. No ano de 2004, celebrando vendas absurdas com a série "Can Do", de figuras de diorama em escala 1/24, a Dragon (sim, a mesma Dragon que fabrica action figures) lançou um primeiro set de troianos, com as figuras de: Helena de Tróia (fundamental, mas ainda inédita), Agamemnom, Menelau e Páris. Um segundo set deve estar disponível para o natal, e inclui: Heitor, Ajax, Aquiles, e um guerreiro troiano. Feitas em número limitado, e com os moldes destruídos após o lançamento, essas figuras Dragon tem tudo para se tornar raras em pouquíssimo tempo! 

O primeiro conjunto da Dragon

O segundo conjunto da Dragon, que deverá
estar disponível para o natal de 2004

Cavalo de Tróia

Para os historiadores ele nem existiu, explicam-no como a lembrança, distorcida pelo tempo, do primeiro uso pelos gregos de uma torre de assédio... Mas a verdade, e aqui gostamos da verdade, é que a brincadeira ficaria incompleta sem um cavalo de Tróia! A primeira versão foi a Atlantic quem lançou, em 1970, mas em escala 1/72, muito pequeno para ter graça, ainda que perfeito para dioramas e wargames. Recentemente tivemos uma agradável surpresa. Uma fábrica brasileira, a Gemini, lançou um cavalo de Tróia em escala 1/32, gigantesco e a companhia ideal para conquistar cidades muradas invencíveis na costa da Anatólia... Esse brinquedo maravilhoso é vendido com figuras semelhantes a Lego, totalmente frustrantes para quem gosta de soldadinhos de plástico, mas como prova a foto, o cavalo de Tróia da Gemini não faz feio ao lado de gregos "Made in Greece", dos anos 70, da Fábrica Athena. Agora é só esperar Páris seqüestrar Helena, e brincar tudo de novo. 

A primeira versão que a Atlantic lançou em 1970

 Cavalo de Tróia da Gemini, que não faz feio ao lado de gregos
 "Made in Greece", dos anos 70, da Fábrica Athena

30 de agosto de 2003

Forte Apache no Brasil - 1980/2003

Marcos Guazzelli

Neste artigo abordaremos os brinquedos de faroeste produzidos pela Gulliver no período 1980 – 2003.

Na virada da década de 70 para a década de 80 a Gulliver lançou um série de figuras em vinil, pintadas à mão. As figuras eram cópias de originais Britains, e eram vendidas em cartelas com três unidades (figuras), contendo conjuntos de cavalaria, índios e cowboys.

Abaixo ilustração de alguns soldados da cavalaria desta série.


No início dos anos 80 a Gulliver lançou em uma série especial o Forte Arizona. O brinquedo era composto por:

  • 1 conjunto de paliçadas que já vinha montado na caixa. O interessante nas paliçadas é que os palitos vinham na posição vertical, coisa que a Gulliver havia abandonado no início dos anos 70;
  • 1 pórtico com portão, que era encaixado na paliçada;
  • 1 alojamento de plástico laranja;
  • 2 torres de vigia de plástico amarelo;
  • 2 escadas de plástico;
  • Conjunto de figuras de plástico sem pintura, cópia de Britains (as mesmas lançadas em vinil pintadas a mão, mencionadas anteriormente).

Abaixo a ilustração da caixa do forte, o forte e algumas figuras.




Os brinquedos mencionados acima foram séries especiais. A série normal lançada a partir de 1980 trouxe, como novidade, as figuras cópias de originais da Atlantic. Estas figuras são produzidas até a atualidade e evoluíram da seguinte forma:

  • Produzidas em plástico, sem pintura de 1980 a meados da década de 90. Houve uma variação na cor do plástico ao longo dos anos, de cores mais vivas para cores mais neutras;
  • Em meados dos anos 80 as figuras foram lançadas em vinil, pintadas à mão. Cabe ressaltar que a pintura desta série era de excelente qualidade;
  • De meados da década de 90 até a atualidade as figuras são feitas em plástico, pintadas à mão, mas a qualidade da pintura não é boa.

Quando lançadas, em 1980, as figuras eram vendidas em 4 conjuntos que vinham em caixas:

  • Sétima cavalaria;
  • Touro Sentado;
  • Acampamento Apache; e
  • Corrida do Ouro.

A Atlantic possuía um conjunto chamado Buffalo Bill que não foi lançado no Brasil.

Abaixo ilustrações dos conjuntos 7a Cavalaria e Touro Sentado.



No início dos anos 80 foram lançados dois modelos de Forte Apache – grande e pequeno – que acompanhavam as figuras desta série. As ilustrações estão abaixo:



No início dos anos 80 as carroças eram iguais às dos anos 70, com a diferença de que o toldo não era mais de pano, mas sim de plástico (amarelo).

Na segunda metade da década de 80 são lançadas, como já comentado, as figuras em vinil pintadas a mão. Os conjuntos lançados para acompanhar estas figuras foram:

  • Forte Apache;
  • Acampamento Apache;
  • Caravana;
  • Texas Express.

As principais novidades foram:

  • No Forte Apache o alojamento de plástico foi substituído por um de madeira. Foi o último modelo de forte feito em madeira;
  • No Acampamento Apache voltaram as tendas, numa versão diferente daquela dos anos 60/70;
  • Foi lançado o Texas Express, que foi o único trem entre todos os brinquedos de faroeste.

Abaixo as ilustrações do forte, do acampamento e do Texas Express.




A partir de 1990 ocorre uma mudança radical – os fortes passam a ser feitos em plástico. O modelo lançado em 1990 é, praticamente, o mesmo que está em linha até hoje.

No início os fortes de plástico são lançados em 3 modelos:

  • Grande (caixa vermelha);
  • Médio (caixa azul);
  • Pequeno (caixa amarela).

As figuras que acompanhavam eram Atlantic em vinil, pintadas a mão.

Abaixo a ilustração da caixa do modelo grande.


Na Segunda metade dos anos 90 os fortes passam a ser vendidos em maletas plásticas, em dois tamanhos – pequeno (que era o médio da série anterior) e grande. As figuras são Atlantic de plástico, e estão em linha até hoje. A pintura das figuras é de péssima qualidade.

Abaixo a ilustração do forte pequeno.


Junto com o forte são produzidas figuras avulsas, em embalagens cilíndricas. A novidade é o retorno das figuras dos búfalos e dos ursos, ambas utilizando fôrmas da década de 70. Estes conjuntos cilíndricos não estão mais em linha, sendo que em algumas lojas ainda são encontradas sobras de estoque, principalmente em lojas do interior.

Atualmente as figuras Atlantic são vendidas em embalagens com 3 unidades e 1 cavalo.

A partir de 2002 os colecionadores tradicionais de Forte Apache quase têm um colapso cardíaco – é lançada a série “Ação Total” com as novas figuras de plástico articuladas.

Esta série, que está em linha, contém os seguintes produtos:

  • Forte Apache grande;
  • Acampamento Apache;
  • Caravana dos Confederados;
  • Rancho Cowboy.

Abaixo as ilustrações da caixa do forte, do acampamento e da caravana.




O aspecto interessante é – os bons observadores já perceberam que a canoa, o totem, a árvore e as tendas dos soldados são feitas em fôrmas da década de 70. Isto prova que a Gulliver ainda mantém essas fôrmas.

São quase 40 anos de forte apache no Brasil. Poucos brinquedos alcançaram esta longevidade, o demonstra o sucesso e a importância do forte apache nas nossas infâncias.

Bom, espero que tenham apreciado o artigo.

As fotos são do meu arquivo pessoal.