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24 de outubro de 2004

Acampamento Apache

Marcos Guazzelli

A tribo de índios apaches ganhou notoriedade em função de filmes de sucesso como Fort Apache (John Ford - 1948) e, principalmente, da série de televisão Rin Tin Tin. Embora outras tribos norte-americanas talvez tenham aspectos mais relevantes do ponto de vista da história dos Estados Unidos, os apaches são mais "famosos".

Chefes apaches notórios foram, entre outros, Cochise e Gerônimo. Os apaches foram a última tribo a se render oficialmente ao governo americano em 1886 (embora os sioux/dakota tenham enfrentado o exército pela última vez em 1890 na batalha de Wounded Knee).

O sucesso da série de brinquedos da Casablanca iniciou com o "Forte Apache" em 1964, mas logo o público consumidor precisava de novos conjuntos que pudessem ser integrados nas brincadeiras, ampliando o universo possível de aventuras. O "Acampamento Apache" veio nesta linha, foi um grande sucesso, e foi produzido por mais de 30 anos.

O nome apache veio na esteira da notoriedade da tribo e do sucesso do "Forte Apache", mas o novo brinquedo acabou por fazer confusões históricas:

O "Acampamento Apache" trazia no conjunto chefes de outras tribos, como Touro sentado e Cavalo Louco (também aproveitando a notoriedade destes personagens);

Os índios do "Acampamento Apache" utilizavam tanto roupas apaches como roupas de outras tribos;

As tendas do "Acampamento Apache" não eram do modelo efetivamente utilizado pela tribo apache;

O "Acampamento Apache" tinha um totem, característico das tribos mais do norte dos Estados Unidos.
Estes são apenas alguns exemplos de confusão histórica, mas outros podem ser identificados.

Casablanca

Lançado entre 1966 e 1967.

Como já mencionado em artigos anteriores, a Casablanca era preocupada com os detalhes do brinquedo. Todas as figuras eram numeradas para que fossem identificadas pelo nome. A relação com os números e nomes das figuras, em papel amarelo, vinha colada no fundo das caixas.

As figuras integrantes do "Acampamento Apache Casablanca" eram:

005 - Chefe índio
006 - Arqueiro índio
007 - Índio
009 - Índio Pulador
016 - Índio Falcão Negro
051 - Jerônimo
052 - Índio Grande Conselheiro
053 - Índio Touro Sentado
054 - Índio Adorador
055 - Índio Caçador
056 - Índio Atirador
057 - Índio Escudo Dourado
058 - Índio Pena Branca
059 - Índio Zorro Gris
060 - Cacique índio
061 - Índio Lanceiro
062 - Índio Cavalo Louco
100 - Sitting Bull (note-se que Sitting Bull é Touro Sentado em inglês; desta forma o famoso chefe era representado em duas figuras - 053 e 100)
101 - Feiticeiro da tribo
102 - Índio Urso Alto
103 - Índio Grande Alce
104 - Índio
105 - Índio
106 - Índio Alce Veloz
107 - Índio
108 - Índio Coiote Cinzento
109 - Índio atirando encostado na pedra
110 - Índio de montar
111 - Índio
113 - Índio Cochise
114 - Jovem Índia Raio de Sol
132 - Índio Mão Amarela
133 - Índio Flecha Certeira
134 - Índio Cavalo Bravo
135 - Índia Velha
136 - Índio Bruxo
137 - Índio Grande Trovão
138 - Índio Renegado
139 - Índio Flecha Vermelha

O "Acampamento Apache da Casablanca" vinha com uma base de papel representando um terreno da planície, com um rio para as canoas. O acampamento era montado sobre esta base. A base existiu em duas versões - redonda e quadrada. Ambas podem ser vistas nas fotos abaixo, sendo que a base redonda mostrada na foto é da coleção do meu amigo Raul de Belo Horizonte.

Havia dois modelos de cabana - uma mais alta, cônica, circular, com três ponteiras, denominada cabana índia. Outra menor, com 10 ponteiras denominada cabana de chefe. Geralmente o conjunto era composto por 4 cabanas índias e 2 cabanas de chefe. Ambos os modelos de cabana aparecem na foto abaixo.

Compunha ainda o acampamento: canoas, fogueira, cercado para cavalos, totem e jangada de madeira.

De acordo com informações que obtive, a jangada de madeira era feita para aproveitar sobras de madeira da linha de produção da Casablanca.

Ao todo, o "Acampamento Apache Casablanca" vinha com 34 figuras. Todos os itens integrantes do acampamento podiam ser encontrados de forma avulsa.

Sou apaixonado pelas ilustrações das caixas dos brinquedos Casablanca e Gulliver, mas duas ilustrações não consegui ainda obter: a do "Acampamento Apache Casablanca" e a do conjunto Virgínia City. Parece que um colega nosso da Galeria dos Brinquedos irá trazer a ilustração do "Acampamento Apache" num artigo que está sendo elaborado...



"Acampamento Apache" do Wagner, grande colecionador de São Paulo

Gulliver

Em 1969 a Casablanca é destruída por um incêndio e em 1970 os filhos do fundador da Casablanca reconstroem a fábrica sob o nome de Gulliver. A Gulliver torna a lançar os brinquedos de faroeste.

Sua primeira versão do acampamento não trás o tradicional nome "Acampamento Apache", mas sim "Os Apaches".

O conjunto "Os Apaches" é produzido até 1974. Possuiu duas versões de embalagem, sendo uma com um desenho de guerreiros apaches e outra com uma foto do conjunto.

Em minha opinião este foi o conjunto mais bonito de todos os acampamentos lançados. Ele era montado sobre uma base de plástico. A base era composta de duas partes encaixáveis.

O conjunto era composto por:

03 tendas
01 canoa
01 totem
10 índios
01 cavalo

Entre as figuras de índios destacam-se 5 figuras de índios sentados (em 3 posições). Os índios sentados só existiram neste conjunto e são extremamente raros.

Em um artigo futuro, comentaremos sobre fábricas internacionais onde a Casablanca e a Gulliver buscaram modelos de figuras. Os índios sentados foram copiados da Elastolin, uma fábrica Alemã. Na Alemanha são produzidos até hoje e podem ser encontrados no site http://www.elastolin.com.

Abaixo, fotos ilustrativas contendo cópia do catálogo da Gulliver com o conjunto, e duas fotos do conjunto "Os Apaches" da coleção do colecionador Marco Antonio de São Paulo.




Em 1975 retorna a denominação "Acampamento Apache", desta vez sem base, e com 5 tendas. O conjunto é produzido neste formato até 1977, conforme ilustrações abaixo, sendo uma do catálogo e outra da minha coleção. No canto superior direito da foto do catálogo é possível ver a ilustração da caixa que embalou o "Acampamento Apache" entre 1975 e 1979.



Em 1978 o brinquedo é novamente alterado. Retorna a base, desta vez rígida. O conjunto passa a ter 4 tendas coloridas, sendo cada uma de uma cor diferente. O conjunto é produzido neste formato até 1979. Abaixo, a ilustração da página do catálogo, sendo que o "Acampamento Apache" aparece entre outros conjuntos da época.


A partir de 1980 a Gulliver muda dramaticamente a sua linha de faroeste. Saem de cena as figuras tradicionais e entram as figuras da fábrica Italiana Atlantic, sem pintura, na cor do plástico.

A linha de figuras Atlantic nunca foi trazida de forma completa pela Gulliver. Há muitas figuras Atlantic bonitas que nunca foram lançadas no Brasil, mas podem ser encontradas à venda no site E-bay Italiano.

As figuras Atlantic são produzidas pela Gulliver até hoje (no conjunto Forte Apache).

Em 1980 o "Acampamento Apache" passa a se chamar "Apaches Camp", lançado em uma caixa só com figuras, conforme ilustrações abaixo. Tendas, canoa, totem, fogueira não mais fazem parte do conjunto.



Em 1986 as figuras no formato Atlantic passam a ser de vinil, pintadas a mão. Retorna o nome "Acampamento Apache", agora com 6 tendas, conforme ilustração abaixo (que está com uma tenda a mais). O conjunto é produzido neste formato até 1990.


Na década de 90 o conjunto passa a ser vendido num cilindro de plástico que contém figuras e 1 tenda. As figuras continuam a ser pintadas a mão, no entanto a pintura é de baixa qualidade se comparada com seus antecessores.

Em 2002 a Gulliver lança a série com bonecos articulados. Aparece no site da Gulliver o conjunto "Acampamento Apache" conforme ilustração abaixo. Este conjunto trás itens dos anos 60 e 70 - canoa, árvore, totem e fogueira. No entanto, por mais que tenha tentado localizar este conjunto em lojas, nunca tive sucesso. A meu pedido, lojistas de Curitiba entraram em contato com o representante da Gulliver, que desconhecia o conjunto, o que me leva a crer que este conjunto jamais foi lançado comercialmente.


Bom, eram estas as informações que eu tinha sobre o "Acampamento Apache".

Até o próximo artigo. 

15 de agosto de 2003

O Forte Apache no Brasil

Marcos Guazzelli

Qual adulto que se encontre na faixa entre 30 e 50 anos de idade não teve o Forte Apache ou algum outro brinquedo de faroeste na infância?

Sem dúvida o Forte Apache foi o brinquedo de maior sucesso no Brasil nas décadas de 60 e 70. É triste que tão pouca informação exista sobre algo que marcou a melhor fase da vida de tantas pessoas e que, até hoje, é cultuado por muitos.

Há algum tempo o álbum de fotos da minha coleção de brinquedos de faroeste fica em cima da mesa em meu escritório. Muitas das visitas que recebo acabam olhando o álbum e percebo que, embora algumas tratem o assunto com deboche, a maioria transmite pelo olhar a admiração e as boas lembranças que as fotos lhes trazem.

O principal fabricante do brinquedo – Manufatura de Brinquedos Gulliver S.A. – parece não dar a importância devida ao tema. Enquanto diversos fabricantes em todos os segmentos lutam por consumidores que cultuem a sua marca e o seu produto, a Gulliver age diferente. Nas poucas vezes em que tentei contato com a fábrica fui tratado com desinteresse e/ou com respostas secas e curtas.

A intenção deste artigo é fazer um passeio pela história dos brinquedos de faroeste produzidos no Brasil pelas indústrias Casablanca e Gulliver nas décadas de 1960 e 1970. As informações aqui apresentadas decorrem de trabalho de pesquisa informal que realizo há anos. Contudo, é provável que contenha informações imprecisas, de forma que desde já informo que críticas e sugestões serão bem vindas.

Não irei me ater a detalhes. Minha intenção é dar uma visão geral sobre o tema. E que este artigo sirva de base e incentivo para futuros trabalhos sobre o tema, trabalhos estes que poderão eventualmente se aprofundar em detalhes.

Não é objetivo deste artigo analisar as razões psicosociais para o sucesso do Forte Apache.

O Começo - Anos 60 

Apenas a título de informação inicial – o brinquedo Forte Apache surgiu nos Estados Unidos, em 1953, lançado pela Louis Marx & CO.

Há controvérsias quanto à origem do Forte Apache no Brasil. Algumas informações dizem que teria sido no final de 1963, início de 1964. Outros dizem que foi em 1966. Particularmente, me posiciono entre os primeiros.

O fato é que o fundador da Casablanca era espanhol, lançou o Forte Apache na Espanha e, posteriormente, emigrou para o Brasil, aqui lançando o brinquedo.

O Forte Apache foi sucesso imediato e logo no seu primeiro ano de operação no Brasil a Casablanca começou a ameaçar fatias de mercado de fabricantes que operavam há décadas no Brasil, como a Estrela.

O primeiro Forte Apache da Casablanca lançado no Brasil era este modelo:


O nome Forte Apache aparecia em inglês – fort – e era marcado a fogo na placa sobre o portão. Pelas informações que disponho, a inscrição em inglês – fort – perdurou até a série lançada pela Gulliver em 1974.

A bandeira não aparece na foto, mas era a dos Estados Unidos. As escadas eram de madeira, com simulação dos degraus. O mastro que aparece na foto não é o modelo original, mas é semelhante.

As paliçadas tinham os palitos na posição vertical, como é correto, e com as pontas dos “troncos” à mostra. Na época estas pontas causaram ferimentos em algumas crianças que brincavam com o produto. Com o passar do tempo, e o lançamento de outros modelos, as pontas forma suprimidas e, eventualmente, os palitos passaram a ser apresentados na posição horizontal.

A embalagem que continha este Forte Apache era esta:


Pouco tempo depois a Casablanca lançou o mesmo modelo de forte com a inscrição “Fort Apache” já no tradicional papel amarelo colado à madeira do portão do forte.

Na época da Casablanca os brinquedos eram acompanhados por uma espécie de cartaz (amarelo) no fundo das caixas do brinquedo. Todas as figuras que acompanhavam o brinquedo eram numeradas (na base ou nas costas) e este cartaz trazia a indicação de quem era quem, por exemplo: 017 – Kid Kansas, 011 – Tenente Rip Masters, 125 – Buffalo Bill, 053 – Touro Sentado. Identificar as figuras fazia parte da brincadeira.

Mais para o final da década de 60 a Casablanca lançou aquele que é, em minha opinião, o forte mais bonito de todos e, também, um dos mais difíceis de encontrar. Este forte possuía duas guaritas de madeira ao lado do portão e era o que mais se aproximava do tradicional Forte Apache da série de televisão Rin Tin Tin.

A caixa que continha o produto era esta apresentada a seguir, e há informações de que o desenho foi feito pelo então filho do fundador da Casablanca e atual Presidente da Gulliver.


O forte era este:


Nos anos finais da década de 60 a Casablanca estava no auge. Sucesso entre as crianças, vendas crescentes, novos produtos lançados. Em seu auge a linha de faroeste da Casablanca possuía os seguintes produtos:

  • Forte Apache de madeira, com 35 figuras;
  • Forte Apache de plástico, com duas guaritas de plástico e 41 figuras;
  • Acampamento Apache com 34 figuras – o acampamento apache possuía uma base circular de papel que simulava o terreno e um rio. As cabanas eram mais circulares do que as lançadas pela Gulliver nos anos 70. Quanto ao número de cabanas original que acompanhava o brinquedo, há duas correntes de opinião – 4 e 5;
  • Caravana, com cinco carroças de madeira e 61 figuras. As carroças possuíam caixas e sacos de suprimentos;
  • Fazenda Ponderosa – do seriado Bonanza, o conjunto era montado sobre uma base e continha, entre outras figuras, casa, cercas, moinho, poço e animais;
  • Virgínia City – foi o maior (e mais caro) conjunto lançado pela Casablanca. Era uma cidade do velho oeste, com casas de madeira, montada sobre uma base. Possuía, também, uma diligência e muitas figuras. Não conheço ninguém que possua este brinquedo ou que, pelo menos, uma foto dele. Com certeza é o conjunto mais raro da Casablanca;
  • Figuras avulsas.


Abaixo a foto da caixa da Fazenda Ponderosa, da caixa da Caravana, do conteúdo da Caravana e das cabanas do Acampamento Apache Casablanca.





Em 1969 um estranho incêndio destruiu a Casablanca. Nada restou, é como se a Casablanca nunca tivesse existido. Quando a indústria foi reconstruída, em 1970, surgiu com o nome de Gulliver. Por quê aventurar-se com uma marca nova e desconhecida se já existia uma marca (Casablanca) consolidada no mercado e na mente dos consumidores? O sucesso da Casablanca seria, em qualquer entidade empresarial, motivo de orgulho e de preservação. Mas a Gulliver nada fez para preservar este passado. É como se a Casablanca nunca tivesse existido. As informações que se consegue vêm da memória de pessoas que viveram naquela época ou das caixas de brinquedos Casablanca que sobraram. Se alguém que vier a ler este artigo tiver um catálogo de produtos Casablanca, agradeceria um contato.

Anos 70

Não disponho de muitas informações sobre os anos de 1970, 1971 e 1972. É um período que ainda estou pesquisando. Abaixo a foto de um dos modelos de Forte Apache deste período, ainda com a inscrição em inglês – fort – e com os palitos das paliçadas na vertical, mas já sem pontas aparentes. Este foto era do modelo mini e já vinha montado na caixa, sendo desmontável apenas a placa, que era encaixada sobre o portão. Os soldados eram pintados com casaco azul claro e calça azul escura, ao contrário dos verdadeiros soldados da cavalaria americana que usavam casaco azul escuro e calça azul clara. 


Nos anos 70 os brinquedos de faroeste lançados pela Gulliver pertenciam à Série Far West.

A imagem padrão desta série, até 1977, reproduzia o Forte Apache sendo atacado pelos índios. Um magnífico desenho elaborado pelo desenhista Nelson Reis e, provavelmente, uma das imagens mais marcantes para aqueles que brincaram com a Série Far West. A famosa imagem, que ilustrava as caixas dos fortes e de itens avulsos, era esta: 


De 1973 a 1977 a Série Far West era composta pelos seguintes produtos:

  • Forte Apache, nos modelos Grande Forte Apache, Forte Apache e Mini Forte Apache. O Grande era o modelo mais bonito e completo, inicialmente com palitos das paliçadas na vertical. Os demais modelos já traziam os palitos na horizontal. A bandeira que acompanhava os fortes era a bandeira da sétima cavalaria, e não mais dos Estados Unidos. O Grande possuía 4 guaritas de plástico, e os demais modelos 2. O Mini não vinha com a casa-quartel general;
  • Os apaches, conjunto com três tendas, índios, cavalos e canoa montados sobre uma base plástica. Neste conjunto vinham figuras de índios sentados, que eram colocados ao redor da fogueira. Este conjunto foi substituído pelo Acampamento Apache, similar ao que já existia na época da Casablanca, composto por 5 tendas, totem, fogueira, canoas, índios e cavalos;
  • Planície selvagem, que era uma base plástica com búfalos, índios e caçadores. Este conjunto ficou pouco tempo em linha;
  • A Conquista do Oeste que era composta por três carroças – na época da Gulliver as carroças já eram plásticas – índios, soldados e cowboys. Este conjunto foi substituído pela Caravana, que trazia duas carroças e duas cabanas de acampamento militar;
  • Chaparral – era o rancho, lançado em substituição à Fazenda Ponderosa. Na época, a série Chaparral era sucesso na TV. O conjunto trazia casa, moinho, cercas, animais, cowboys, cavalos, entre outros itens;
  • Itens avulsos.


A Série Far West possuía, também, itens avulsos chamados de “especiais”. Eram figuras feitas em plástico de kit, com pintura em alto padrão. Cada uma vinha acondicionada em uma caixa exclusiva. Abaixo, um dos “especiais”:


A seguir são apresentadas ilustrações do Grande Forte Apache de 1973, da caixa do Chaparral, e do totem do Acampamento Apache (na forma de item avulso).




A ilustração da caixa da Conquista do Oeste (posteriormente utilizada para a Caravana) também é uma das mais bonitas da história da Gulliver. A imagem é uma reprodução fantasiosa do “last stand” do General Custer em Little Big Horn, apresentada a seguir:


A título de curiosidade – a imagem utilizada para ilustrar esta caixa foi tirada do cartaz de lançamento do filme Custer of the West, de 1968, com Robert Shaw no papel de Custer. O cartaz do filme era este:


Em 1978 a Gulliver “repaginou” os produtos da Série Far West, e os novos modelos estiveram no mercado nos anos de 1978 e 1979. Os produtos que compunham a série eram os seguintes:

  • Forte apache em dois modelos – grande e pequeno. O forte grande já não trazia a paliçada dos fundos, sendo esta substituída por um conjunto plástico com: alojamento, comando e depósito. A tradicional ilustração das caixas dos fortes foi substituída pela foto de um menino brincando. As bandeiras foram colocadas sobre as guaritas, e a dos Estados Unidos substituiu a da sétima cavalaria. Em 1979 as guaritas foram substituídas por torres de observação. Os fortes vinham montados;
  • Acampamento Apache – as tendas passaram a ser quatro, cada uma pintada de uma cor diferente. O conjunto também vinha montado sobre uma base;
  • Caravana – a tenda militar passou a ser uma só, e o conjunto também vinha montado sobre uma base;
  • Chaparral – também montado sobre uma base;
  • Itens avulsos.


A seguir a ilustração do Forte Apache grande e do Chaparral:


1979  marcou o fim da década de 70 e, também, o fim da época de ouro dos brinquedos de faroeste. A partir de 1980 os brinquedos foram bastante reformulados.

A Gulliver mantém o Forte Apache em linha até hoje, mas os produtos lançados nos últimos 20 anos não se comparam àqueles dos anos 60 e 70.

Num próximo artigo abordarei os conjuntos lançados nas décadas de 80 e 90 e 2000.

14 de março de 2003

Saiba quais foram os modelos de cavalos utilizados pela Casablanca e Gulliver em seus conjuntos do velho oeste

José Carlos Lollo

As principais empresas que produziram cavalos nos anos 70 foram Casablanca e Gulliver. Abaixo, uma análise destes que fizeram a alegria da criançada na época, e dos colecionadores até hoje!


Figs. 1 e 2 – O mais comum dos modelos é este cavalo magro, sem base, e de pernas abertas, que acompanhava os conjuntos de Forte Apache desde o início. Com uma construção de certa forma pobre, ao ter suas patas esticadas, estas se mostram cada uma de um tamanho. Veja a foto de comparação com um cavalo da empresa Starlux, de melhor qualidade.

Nacional X Starlux

Este cavalo era produzido em versões para índios e caubóis, nas seguintes cores de plástico: preto, marrom, branco, cinza e rosa. O modelo em mescla marrom e preto é o mais raro. Raro também era o cavalo de caubói com textura de pelos, presente em várias épocas.

A melhor pista para datar os cavalos é a pintura. Os de índios, por exemplo, apresentavam, no início de sua produção, a sela em até quatro cores, depois três e duas. Os de caubóis também sofreram simplificação na pintura, com a cor prata utilizada quase sempre. A partir da segunda metade dos anos 70 tinta fosca começa a ser utilizada. Todos têm o casco pintado em prata ou preto.
Estes cavalos também eram utilizados em carroças de grandes conjuntos, como o conjunto "Caravana". Carroças avulsas e modelos antigos de carroça têm cavalos melhores, como os modelos 11 e 12, que serão abordados mais à frente.

Estes cavalos chegaram a ser copiados por outras marcas concorrentes, mais roliços e com menos detalhes de molde e pintura.


Fig 3 e 4 – O cavalo 3 foi produzido somente no período Casablanca, e unicamente na versão caubói. Um cavalo de boas proporções, mais realista. Foi fabricado em branco, preto e marrom. Apesar de ter sua base própria, às vezes partilhava a mesma base do modelo 4. Não chega a ser raro, mas é difícil de encontrar em bom estado.

As cores da pintura variam muito, mas serão sempre as cores básicas da Casablanca: amarelo, azul marinho, vermelho, prata e branco.

O cavalo 4, de índio, foi copiado da Elastolin, como pode ser visto na foto do catálogo desta, abaixo:

Página de catálogo Elastolin

Este cavalo é do início da época da Casablanca, mas frequentou conjuntos da Gulliver até a primeira metade da década de 70. Ele tem um problema de projeto que faz dele um cavalo raríssimo: o ponto de junção com a base está longe do centro de gravidade, o que faz com que o casco sofra uma forte tensão. Isto, somado à qualidade do plástico, deixou o cavalo muito frágil. Normalmente estes cavalos quebravam, o que faz de um desses em bom estado um item muito raro. As cores do Casablanca eram extremamente superiores às da Gulliver, com selas pintadas com manchas muito coloridas. A cor do plástico variava entre dois tipos de marrom, preto, branco e mesclado. A base dos cavalos Casablanca era em verde mesclado com marrom, e a da Gulliver um verde vivo.

Cada conjunto “Forte Apache”, “Caravana”, ou “Acampamento Índio” acompanhava pelo menos dois cavalos.




Figs. 5, 6, 7 e 16 - Estes eram os cavalos de luxo. São todos do período da Gulliver, pelo indicado nas bases.

Acompanhavam figuras individuais, vendidas em caixa pequenas. Os modelos 6, 7 e 16 têm a mesma escala, enquanto o 5 é ligeiramente menor, com um desenho de sela diferente dos outros de caubói. Note a semelhança entre o 5 e o 11. Uma curiosidade: O cavalo 6 era utilizado no set “Fantasma”, provavelmente representando seu cavalo “Herói”.

Existe mais um modelo de cavalo índio, produzido em plástico preto, marrom e branco, base em plástico marrom mesclado e pintura de baixa qualidade, difícil de achar em bom estado, como qualquer cavalo índio.



Figs. 8 e 9 - Cavalos do conjunto “Independência ou Morte”.

Estes modelos acompanhavam também outros conjuntos. E mesmo o conjunto “Independência ou Morte” continha outros modelos (6 e 16), mas foi neste conjunto que eles ficaram conhecidos. Eles utilizam sela típica da cavalaria, são imponentes e bem esculpidos. O modelo 9 tem um "cobertor" enrolado na parte de trás, e é também o único cavalo com base fixa. Ambos foram produzidos em preto, marrom e branco e pintados com economia.


Figs. 11 e 12 - Cavalos de carroça bastante comuns. São muito bem esculpidos, bem proporcionados e davam muito realismo para as carroças um tanto pobres da Casablanca e Gulliver. Os primeiros conjuntos "Caravana" continham estes cavalos, que depois foram trocados pelos modelos 1 e 2. Eles também acompanhavam a raríssima diligência Casablanca. São apenas estes dois modelos, mas na combinação das parelhas pareciam todos diferentes, em plástico preto, marrom e branco, sendo o marrom o mais comum. Cascos em prata, arreios em laranja e colar branco ou vermelho.

Alguns modelos mais antigos têm a crina e a cauda manchadas. As traves que os prendiam quebravam com grande facilidade, por isso é mais fácil encontrá-los avulsos. O cavalo era a única coisa que sobrava da carroça e como ninguém brincava com eles depois da trava quebrar, sempre sobrava um dentro da caixa. Não são raros, mas encontra-los presos na trave é muito difícil.


Figs. 13 e 14 - Estas figuras caricatas fazem parte de um conjunto de curtíssima duração lançado por volta de 73, “Os Brincalhões do Forte Apache”, um lançamento único da Gulliver, vendido em caixa com um minúsculo forte e poucas figuras. Chegaram a ser vendidas figuras a granel em grandes magazines. Os cavalos são engraçados, com personalidade. O padrão de plástico é o mesmo da Gulliver e, infelizmente, o padrão pobre de pintura também. Alguns caubóis não conseguiam "montar" apesar da cinturinha do cavalo.


Fig 15. É o cavalo do conjunto “Batalha do Tuiuti”. Cópia simplificada de um modelo da empresa Timpo, é o menor dos cavalos da Casablanca, e visto somente no conjunto “Guerra do Paraguai”. Como toda figura deste conjunto, este cavalo é raro.