16 de dezembro de 2003

Transfer, Kalkitos e Presto Magix!

Daniel Bruno




Lá pelos idos de 1978 (eu tinha 6 anos) foi lançado um produto diferente de todos os outros que eu já havia visto. Como colecionava quadrinhos, estava toda hora na banca de jornal (que ficava em frente do meu prédio). Um dia percebi uma publicação chamada Transfer e a minha vida mudou.

Os Transfers eram um tipo de jogo/brinquedo/passatempo extremamente divertido e barato. Constava de um cenário base (que vinha dobrado geralmente em 4 partes) e uma folha de "adesivos" transferíveis colada num pedaço de papel manteiga. Na folha, os adesivos vinham sem ordem definida e você usava simplesmente uma caneta e toda a sua imaginação para transformar aquele cenário numa tela vibrante cheia de movimento e ação. Você simplesmente puxava o papel manteiga, colocava o adesivo na posição desejada dentro da cena imaginada e rabiscava do outro lado para transferí-lo para a cena. Demais!

Sempre tive vontade de resgatar esse pedaço da minha infância, mas encontrar esse tipo de material é bem complicado. Porém, graças ao meu faro para encontrar coisas antigas em bazares e afins, já conto com 11 Transfers (chamo de Transfer por ser um nome mais genérico, mas são 11 "Transfers" dentre Transfers, Kalkitos e Presto Magix) na minha coleção. O Transfer era publicado pela Editora Abril, o Kalkitos era propriedade da Paper Mate/Gillette do Brasil e o Presto Magix é o nome original do brinquedo e era (ou ainda é se não me engano) publicado pela American Publishing Corporation.




O Transfer sobreviveu pelo menos até 1985 (data do Transfer mais recente que eu tenho). Vinha em dois tamanhos básicos: pequeno (12.5x18cm) e grande (18x24cm). Esses tamanhos são dos Transfers ainda fechados. Quando abertos tinham respectivamente 12.5x45cm e 24x72cm! O grande problema do Transfer é que não tem como saber quantos foram lançados no mercado, pois o único tipo de controle era a numeração que aparecia na última página. O Transfer de maior número que eu tenho é o de número 285, porém, esse foi publicado em 1980 e eu tenho um outro que não tem número e foi lançado em 1985... Bem frustrante.




Já o Kalkitos aparentemente só foi lançado no ano de 1978 mesmo (pelo menos todos os que eu tenho são desse ano). Assim como o Transfer, possuía dois tamanhos: Pequeno e Grande. Não tenho nenhum pequeno, mas as medidas do grande são essas: 17x24cm fechado e 24x68cm aberto. Não tinha nenhum tipo de controle numérico, porém vinha com a relação de todos os Kalkitos que haviam sido lançados durante um período de tempo na última capa. Quando lançavam outra série, vinha a nova relação e assim por diante.

Não tenho muitas informações sobre o Presto Magix, pois só possuo um, mas o bom é que ele não foi decalcado! Ainda conservo a folha de decalques e a folha de papel manteiga na cena vazia. É uma boa raridade pois trata-se de um Presto Magix de 1986. O tema é o desenho animado Centurions. Se alguém tiver interesse, é só procurar no site Ebay por "presto magix" em títulos e descrições, e vai encontrar uma boa variedade de temas.

O interessante é que em qualquer edição do Transfer, Kalkitos ou Presto Magix havia uma referência do que você ia encontrar quando abrisse o brinquedo (todos eles vinham lacrados num saco plástico transparente) na última capa. Uma reduzida reprodução do cenário e a cartela de adesivos também reproduzida para se ter uma idéia do interior. Bem pensado, pois isso só estimulava a compra dos mesmos.

Uma outra coisa interessante é que havia um lado informativo/cultural no brinquedo. Uma (às vezes duas) das páginas trazia um breve histórico relacionado ao tema do Transfer. O que acabava por estimular os pais a comprarem o brinquedo para os filhos.

Segue relação dos Kalkitos que foram lançados — pelo menos os que eu tenho acesso por já virem listados na última página dos mesmos:

- Tamanho Pequeno - O Trenzinho / Chapeuzinho Vermelho / Futebol / Assalto à Diligência / A Casa / Hipódromo / Motocross / Exploração Lunar / Os Ursinhos / Duelo de Barletta / Os Animais da Fazenda / O Gato de Botas / General Custer / Ali Babá e os 40 Ladrões / Supermercado / Escoteiros / Grand Prix / Sandokan / Barão Vermelho / Floresta Encantada / A Lâmpada de Aladim / Os Bombeiros / Alice no País das Maravilhas / Robin Hood / Gladiadores na Arena / O Porto / A Batalha da Inglaterra / Beduínos

- Tamanho Grande - Forte Álamo / Acoplamento no Espaço / Animais da Índia / A Descoberta da América / Grande Prêmio / Napoleão em Austerlitz / Parque de Diversões / O Campo Índio / A Batalha de Midway / Exploração Lunar / Motocross / Animais Pré-Históricos / O Mundo Submarino / O Duelo de Barletta / O Circo dos Três Picadeiros / Legião Estrangeira / Os Animais do Pólo / A Batalha na Floresta / Submarino Atômico / Máscaras Italianas / A Cidade do Futuro / Expedição Alpina / Ataque ao Castelo

Notem que alguns se repetem nos dois tamanhos. Não sei se essa informação bate, pois não tive nenhum acesso ao mesmo tema em tamanhos diferentes.

Os que eu tenho são os seguintes:

- Transfer - Santos-Dumont (n.1) / Assalto à Caravana (n.11) / Os Piratas (n.25) / Duelo no Saloon (n.32) / Jogos Olímpicos Walt Disney (n.285) tamanho gigante (24x36cm fechado e 48x72cm aberto) / O Corpo Humano (formato revista 16pgs, sem numeração)

- Kalkitos - Napoleão em Austerlitz / Animais Pré-Históricos / Legião Estrangeira / Submarino Atômico

- Presto Magix - Centurions Power Extreme






















15 de dezembro de 2003

DC Direct

Johannes Neto


A linha de action figures (bonecos articulados) da DC Direct foi lançada visando um público diferenciado. Distanciando-se do mercado de massa, alvo de coleções anteriores produzidas pela Kenner, Hasbro e Mattel, os bonecos de 6" da coleção DC Direct são vendidas em lojas virtuais (tais como Tower Records e Toys R Us), comic shops ou specialty stores (como Suncoast Video, Babbages e Gamestop). Apesar de uma queda de qualidade nas figuras da onda 1 de  Kingdom Come (que acarretou inúmeras reclamações por parte dos americanos), o que diferencia a DC Direct de sua concorrente mais direta, a linha Marvel Legends da Toy Biz é a pouca quantidade de articulações, o preço elevado (até para os padrões americanos), fatores compensados pela escultura (muitas vezes superior à rival) e o acabamento (principalmente pintura).

Definitivamente não é um produto de lucro rápido e tão acessível quanto um boneco dos X-Men ou Homem-Aranha, pois foi destinado ao público colecionador. Algumas vezes as figuras não passam de estátuas com alguns pontos de articulação, porém nada que estrague o prazer de um fã dos heróis DC de ver seu herói preferido reproduzido em plástico, com esmero e qualidade.

A coleção DC Direct iniciou-se em 1998 (série 1), com o lançamento dos bonecos de Alfred E. Newman (o tétrico personagem da MAD), além de Black Spy e White Spy.


De 1998 até hoje, a coleção conta com 46 séries lançadas e mais de 170 personagens, dentre heróis e vilões, incluindo versões da Golden, Silver e Modern Age dos mesmos. Alguns personagens são muito valorizados no mercado, tais como: os heróis da Sociedade da Justiça (Wildcat, Power Girl, Dr Fate, Dr Mid-nite, Golden Age Hourman, dentre outros) e alguns conjuntos em box-set, tais como Aquaman & Aqualad ou Flash & Kid Flash.




Algumas séries são muito aguardadas, tais como a linha de bonecos baseada em Hush, de Jim Lee (foto ao lado) que terá, inclusive uma versão nova do Superman, além da versão moderna da Liga da Justiça que foi lançada agora em dezembro de 2003 nos Estados Unidos e que terá a adição de personagens ansiosamente aguardados da era Satélite (quando a base da Liga era no espaço), como Homem-Elástico (Elongated Man), Adam Strange (na foto exclusiva dos protótipos), Elektron (Atom) e Nuclear (Firestorm). 


Está programado também o lançamento de uma linha baseada nos quadrinhos de Dark Knight Returns de Frank Miller.

Enfim, para quem gostou da série de bonecos da Mattel, cujo lançamento está quase simultâneo aqui no Brasil com os Estados Unidos, a safra de bonecos do Batman, seja DC Direct ou demais empresas, está sobrecarregando as prateleiras. Por incrível que pareça, há mercado consumidor para tudo isso. Mesmo com a crise (!) financeira mundial.



Para conhecer outras figuras da coleção, clique nas imagens abaixo:



30 de agosto de 2003

Forte Apache no Brasil - 1980/2003

Marcos Guazzelli

Neste artigo abordaremos os brinquedos de faroeste produzidos pela Gulliver no período 1980 – 2003.

Na virada da década de 70 para a década de 80 a Gulliver lançou um série de figuras em vinil, pintadas à mão. As figuras eram cópias de originais Britains, e eram vendidas em cartelas com três unidades (figuras), contendo conjuntos de cavalaria, índios e cowboys.

Abaixo ilustração de alguns soldados da cavalaria desta série.


No início dos anos 80 a Gulliver lançou em uma série especial o Forte Arizona. O brinquedo era composto por:

  • 1 conjunto de paliçadas que já vinha montado na caixa. O interessante nas paliçadas é que os palitos vinham na posição vertical, coisa que a Gulliver havia abandonado no início dos anos 70;
  • 1 pórtico com portão, que era encaixado na paliçada;
  • 1 alojamento de plástico laranja;
  • 2 torres de vigia de plástico amarelo;
  • 2 escadas de plástico;
  • Conjunto de figuras de plástico sem pintura, cópia de Britains (as mesmas lançadas em vinil pintadas a mão, mencionadas anteriormente).

Abaixo a ilustração da caixa do forte, o forte e algumas figuras.




Os brinquedos mencionados acima foram séries especiais. A série normal lançada a partir de 1980 trouxe, como novidade, as figuras cópias de originais da Atlantic. Estas figuras são produzidas até a atualidade e evoluíram da seguinte forma:

  • Produzidas em plástico, sem pintura de 1980 a meados da década de 90. Houve uma variação na cor do plástico ao longo dos anos, de cores mais vivas para cores mais neutras;
  • Em meados dos anos 80 as figuras foram lançadas em vinil, pintadas à mão. Cabe ressaltar que a pintura desta série era de excelente qualidade;
  • De meados da década de 90 até a atualidade as figuras são feitas em plástico, pintadas à mão, mas a qualidade da pintura não é boa.

Quando lançadas, em 1980, as figuras eram vendidas em 4 conjuntos que vinham em caixas:

  • Sétima cavalaria;
  • Touro Sentado;
  • Acampamento Apache; e
  • Corrida do Ouro.

A Atlantic possuía um conjunto chamado Buffalo Bill que não foi lançado no Brasil.

Abaixo ilustrações dos conjuntos 7a Cavalaria e Touro Sentado.



No início dos anos 80 foram lançados dois modelos de Forte Apache – grande e pequeno – que acompanhavam as figuras desta série. As ilustrações estão abaixo:



No início dos anos 80 as carroças eram iguais às dos anos 70, com a diferença de que o toldo não era mais de pano, mas sim de plástico (amarelo).

Na segunda metade da década de 80 são lançadas, como já comentado, as figuras em vinil pintadas a mão. Os conjuntos lançados para acompanhar estas figuras foram:

  • Forte Apache;
  • Acampamento Apache;
  • Caravana;
  • Texas Express.

As principais novidades foram:

  • No Forte Apache o alojamento de plástico foi substituído por um de madeira. Foi o último modelo de forte feito em madeira;
  • No Acampamento Apache voltaram as tendas, numa versão diferente daquela dos anos 60/70;
  • Foi lançado o Texas Express, que foi o único trem entre todos os brinquedos de faroeste.

Abaixo as ilustrações do forte, do acampamento e do Texas Express.




A partir de 1990 ocorre uma mudança radical – os fortes passam a ser feitos em plástico. O modelo lançado em 1990 é, praticamente, o mesmo que está em linha até hoje.

No início os fortes de plástico são lançados em 3 modelos:

  • Grande (caixa vermelha);
  • Médio (caixa azul);
  • Pequeno (caixa amarela).

As figuras que acompanhavam eram Atlantic em vinil, pintadas a mão.

Abaixo a ilustração da caixa do modelo grande.


Na Segunda metade dos anos 90 os fortes passam a ser vendidos em maletas plásticas, em dois tamanhos – pequeno (que era o médio da série anterior) e grande. As figuras são Atlantic de plástico, e estão em linha até hoje. A pintura das figuras é de péssima qualidade.

Abaixo a ilustração do forte pequeno.


Junto com o forte são produzidas figuras avulsas, em embalagens cilíndricas. A novidade é o retorno das figuras dos búfalos e dos ursos, ambas utilizando fôrmas da década de 70. Estes conjuntos cilíndricos não estão mais em linha, sendo que em algumas lojas ainda são encontradas sobras de estoque, principalmente em lojas do interior.

Atualmente as figuras Atlantic são vendidas em embalagens com 3 unidades e 1 cavalo.

A partir de 2002 os colecionadores tradicionais de Forte Apache quase têm um colapso cardíaco – é lançada a série “Ação Total” com as novas figuras de plástico articuladas.

Esta série, que está em linha, contém os seguintes produtos:

  • Forte Apache grande;
  • Acampamento Apache;
  • Caravana dos Confederados;
  • Rancho Cowboy.

Abaixo as ilustrações da caixa do forte, do acampamento e da caravana.




O aspecto interessante é – os bons observadores já perceberam que a canoa, o totem, a árvore e as tendas dos soldados são feitas em fôrmas da década de 70. Isto prova que a Gulliver ainda mantém essas fôrmas.

São quase 40 anos de forte apache no Brasil. Poucos brinquedos alcançaram esta longevidade, o demonstra o sucesso e a importância do forte apache nas nossas infâncias.

Bom, espero que tenham apreciado o artigo.

As fotos são do meu arquivo pessoal.

15 de agosto de 2003

O Forte Apache no Brasil

Marcos Guazzelli

Qual adulto que se encontre na faixa entre 30 e 50 anos de idade não teve o Forte Apache ou algum outro brinquedo de faroeste na infância?

Sem dúvida o Forte Apache foi o brinquedo de maior sucesso no Brasil nas décadas de 60 e 70. É triste que tão pouca informação exista sobre algo que marcou a melhor fase da vida de tantas pessoas e que, até hoje, é cultuado por muitos.

Há algum tempo o álbum de fotos da minha coleção de brinquedos de faroeste fica em cima da mesa em meu escritório. Muitas das visitas que recebo acabam olhando o álbum e percebo que, embora algumas tratem o assunto com deboche, a maioria transmite pelo olhar a admiração e as boas lembranças que as fotos lhes trazem.

O principal fabricante do brinquedo – Manufatura de Brinquedos Gulliver S.A. – parece não dar a importância devida ao tema. Enquanto diversos fabricantes em todos os segmentos lutam por consumidores que cultuem a sua marca e o seu produto, a Gulliver age diferente. Nas poucas vezes em que tentei contato com a fábrica fui tratado com desinteresse e/ou com respostas secas e curtas.

A intenção deste artigo é fazer um passeio pela história dos brinquedos de faroeste produzidos no Brasil pelas indústrias Casablanca e Gulliver nas décadas de 1960 e 1970. As informações aqui apresentadas decorrem de trabalho de pesquisa informal que realizo há anos. Contudo, é provável que contenha informações imprecisas, de forma que desde já informo que críticas e sugestões serão bem vindas.

Não irei me ater a detalhes. Minha intenção é dar uma visão geral sobre o tema. E que este artigo sirva de base e incentivo para futuros trabalhos sobre o tema, trabalhos estes que poderão eventualmente se aprofundar em detalhes.

Não é objetivo deste artigo analisar as razões psicosociais para o sucesso do Forte Apache.

O Começo - Anos 60 

Apenas a título de informação inicial – o brinquedo Forte Apache surgiu nos Estados Unidos, em 1953, lançado pela Louis Marx & CO.

Há controvérsias quanto à origem do Forte Apache no Brasil. Algumas informações dizem que teria sido no final de 1963, início de 1964. Outros dizem que foi em 1966. Particularmente, me posiciono entre os primeiros.

O fato é que o fundador da Casablanca era espanhol, lançou o Forte Apache na Espanha e, posteriormente, emigrou para o Brasil, aqui lançando o brinquedo.

O Forte Apache foi sucesso imediato e logo no seu primeiro ano de operação no Brasil a Casablanca começou a ameaçar fatias de mercado de fabricantes que operavam há décadas no Brasil, como a Estrela.

O primeiro Forte Apache da Casablanca lançado no Brasil era este modelo:


O nome Forte Apache aparecia em inglês – fort – e era marcado a fogo na placa sobre o portão. Pelas informações que disponho, a inscrição em inglês – fort – perdurou até a série lançada pela Gulliver em 1974.

A bandeira não aparece na foto, mas era a dos Estados Unidos. As escadas eram de madeira, com simulação dos degraus. O mastro que aparece na foto não é o modelo original, mas é semelhante.

As paliçadas tinham os palitos na posição vertical, como é correto, e com as pontas dos “troncos” à mostra. Na época estas pontas causaram ferimentos em algumas crianças que brincavam com o produto. Com o passar do tempo, e o lançamento de outros modelos, as pontas forma suprimidas e, eventualmente, os palitos passaram a ser apresentados na posição horizontal.

A embalagem que continha este Forte Apache era esta:


Pouco tempo depois a Casablanca lançou o mesmo modelo de forte com a inscrição “Fort Apache” já no tradicional papel amarelo colado à madeira do portão do forte.

Na época da Casablanca os brinquedos eram acompanhados por uma espécie de cartaz (amarelo) no fundo das caixas do brinquedo. Todas as figuras que acompanhavam o brinquedo eram numeradas (na base ou nas costas) e este cartaz trazia a indicação de quem era quem, por exemplo: 017 – Kid Kansas, 011 – Tenente Rip Masters, 125 – Buffalo Bill, 053 – Touro Sentado. Identificar as figuras fazia parte da brincadeira.

Mais para o final da década de 60 a Casablanca lançou aquele que é, em minha opinião, o forte mais bonito de todos e, também, um dos mais difíceis de encontrar. Este forte possuía duas guaritas de madeira ao lado do portão e era o que mais se aproximava do tradicional Forte Apache da série de televisão Rin Tin Tin.

A caixa que continha o produto era esta apresentada a seguir, e há informações de que o desenho foi feito pelo então filho do fundador da Casablanca e atual Presidente da Gulliver.


O forte era este:


Nos anos finais da década de 60 a Casablanca estava no auge. Sucesso entre as crianças, vendas crescentes, novos produtos lançados. Em seu auge a linha de faroeste da Casablanca possuía os seguintes produtos:

  • Forte Apache de madeira, com 35 figuras;
  • Forte Apache de plástico, com duas guaritas de plástico e 41 figuras;
  • Acampamento Apache com 34 figuras – o acampamento apache possuía uma base circular de papel que simulava o terreno e um rio. As cabanas eram mais circulares do que as lançadas pela Gulliver nos anos 70. Quanto ao número de cabanas original que acompanhava o brinquedo, há duas correntes de opinião – 4 e 5;
  • Caravana, com cinco carroças de madeira e 61 figuras. As carroças possuíam caixas e sacos de suprimentos;
  • Fazenda Ponderosa – do seriado Bonanza, o conjunto era montado sobre uma base e continha, entre outras figuras, casa, cercas, moinho, poço e animais;
  • Virgínia City – foi o maior (e mais caro) conjunto lançado pela Casablanca. Era uma cidade do velho oeste, com casas de madeira, montada sobre uma base. Possuía, também, uma diligência e muitas figuras. Não conheço ninguém que possua este brinquedo ou que, pelo menos, uma foto dele. Com certeza é o conjunto mais raro da Casablanca;
  • Figuras avulsas.


Abaixo a foto da caixa da Fazenda Ponderosa, da caixa da Caravana, do conteúdo da Caravana e das cabanas do Acampamento Apache Casablanca.





Em 1969 um estranho incêndio destruiu a Casablanca. Nada restou, é como se a Casablanca nunca tivesse existido. Quando a indústria foi reconstruída, em 1970, surgiu com o nome de Gulliver. Por quê aventurar-se com uma marca nova e desconhecida se já existia uma marca (Casablanca) consolidada no mercado e na mente dos consumidores? O sucesso da Casablanca seria, em qualquer entidade empresarial, motivo de orgulho e de preservação. Mas a Gulliver nada fez para preservar este passado. É como se a Casablanca nunca tivesse existido. As informações que se consegue vêm da memória de pessoas que viveram naquela época ou das caixas de brinquedos Casablanca que sobraram. Se alguém que vier a ler este artigo tiver um catálogo de produtos Casablanca, agradeceria um contato.

Anos 70

Não disponho de muitas informações sobre os anos de 1970, 1971 e 1972. É um período que ainda estou pesquisando. Abaixo a foto de um dos modelos de Forte Apache deste período, ainda com a inscrição em inglês – fort – e com os palitos das paliçadas na vertical, mas já sem pontas aparentes. Este foto era do modelo mini e já vinha montado na caixa, sendo desmontável apenas a placa, que era encaixada sobre o portão. Os soldados eram pintados com casaco azul claro e calça azul escura, ao contrário dos verdadeiros soldados da cavalaria americana que usavam casaco azul escuro e calça azul clara. 


Nos anos 70 os brinquedos de faroeste lançados pela Gulliver pertenciam à Série Far West.

A imagem padrão desta série, até 1977, reproduzia o Forte Apache sendo atacado pelos índios. Um magnífico desenho elaborado pelo desenhista Nelson Reis e, provavelmente, uma das imagens mais marcantes para aqueles que brincaram com a Série Far West. A famosa imagem, que ilustrava as caixas dos fortes e de itens avulsos, era esta: 


De 1973 a 1977 a Série Far West era composta pelos seguintes produtos:

  • Forte Apache, nos modelos Grande Forte Apache, Forte Apache e Mini Forte Apache. O Grande era o modelo mais bonito e completo, inicialmente com palitos das paliçadas na vertical. Os demais modelos já traziam os palitos na horizontal. A bandeira que acompanhava os fortes era a bandeira da sétima cavalaria, e não mais dos Estados Unidos. O Grande possuía 4 guaritas de plástico, e os demais modelos 2. O Mini não vinha com a casa-quartel general;
  • Os apaches, conjunto com três tendas, índios, cavalos e canoa montados sobre uma base plástica. Neste conjunto vinham figuras de índios sentados, que eram colocados ao redor da fogueira. Este conjunto foi substituído pelo Acampamento Apache, similar ao que já existia na época da Casablanca, composto por 5 tendas, totem, fogueira, canoas, índios e cavalos;
  • Planície selvagem, que era uma base plástica com búfalos, índios e caçadores. Este conjunto ficou pouco tempo em linha;
  • A Conquista do Oeste que era composta por três carroças – na época da Gulliver as carroças já eram plásticas – índios, soldados e cowboys. Este conjunto foi substituído pela Caravana, que trazia duas carroças e duas cabanas de acampamento militar;
  • Chaparral – era o rancho, lançado em substituição à Fazenda Ponderosa. Na época, a série Chaparral era sucesso na TV. O conjunto trazia casa, moinho, cercas, animais, cowboys, cavalos, entre outros itens;
  • Itens avulsos.


A Série Far West possuía, também, itens avulsos chamados de “especiais”. Eram figuras feitas em plástico de kit, com pintura em alto padrão. Cada uma vinha acondicionada em uma caixa exclusiva. Abaixo, um dos “especiais”:


A seguir são apresentadas ilustrações do Grande Forte Apache de 1973, da caixa do Chaparral, e do totem do Acampamento Apache (na forma de item avulso).




A ilustração da caixa da Conquista do Oeste (posteriormente utilizada para a Caravana) também é uma das mais bonitas da história da Gulliver. A imagem é uma reprodução fantasiosa do “last stand” do General Custer em Little Big Horn, apresentada a seguir:


A título de curiosidade – a imagem utilizada para ilustrar esta caixa foi tirada do cartaz de lançamento do filme Custer of the West, de 1968, com Robert Shaw no papel de Custer. O cartaz do filme era este:


Em 1978 a Gulliver “repaginou” os produtos da Série Far West, e os novos modelos estiveram no mercado nos anos de 1978 e 1979. Os produtos que compunham a série eram os seguintes:

  • Forte apache em dois modelos – grande e pequeno. O forte grande já não trazia a paliçada dos fundos, sendo esta substituída por um conjunto plástico com: alojamento, comando e depósito. A tradicional ilustração das caixas dos fortes foi substituída pela foto de um menino brincando. As bandeiras foram colocadas sobre as guaritas, e a dos Estados Unidos substituiu a da sétima cavalaria. Em 1979 as guaritas foram substituídas por torres de observação. Os fortes vinham montados;
  • Acampamento Apache – as tendas passaram a ser quatro, cada uma pintada de uma cor diferente. O conjunto também vinha montado sobre uma base;
  • Caravana – a tenda militar passou a ser uma só, e o conjunto também vinha montado sobre uma base;
  • Chaparral – também montado sobre uma base;
  • Itens avulsos.


A seguir a ilustração do Forte Apache grande e do Chaparral:


1979  marcou o fim da década de 70 e, também, o fim da época de ouro dos brinquedos de faroeste. A partir de 1980 os brinquedos foram bastante reformulados.

A Gulliver mantém o Forte Apache em linha até hoje, mas os produtos lançados nos últimos 20 anos não se comparam àqueles dos anos 60 e 70.

Num próximo artigo abordarei os conjuntos lançados nas décadas de 80 e 90 e 2000.